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Educador

Três práticas para aproveitar a habilidade dos nativos digitais para engajar os estudantes no aprendizado

Especialista lista sugestões e exemplos do que professores podem adotar para propiciar o aprendizado digital seguro a crianças e adolescentes

By Assessoria
9 min de leitura
rawpixel.com@Freepik
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As palavras educação e digital podem ter uma série de significados a partir da forma como são combinadas. Por um lado, a digitalização da educação está relacionada com a disponibilidade de ferramentas tecnológicas que levam o processo de aprendizado para o ambiente onde hoje as crianças e os adolescentes se encontram: a tela – seja do computador, do tablet ou do celular. 

No Brasil, a conectividade tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, especialmente entre as crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa “TIC Kids Online Brasil 2021”, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em parceria com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), cerca de 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. Ainda de acordo com o levantamento, 78% desse público têm perfis em redes sociais, revelando um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2019, fase pré-pandemia.

Porém, ao mesmo tempo em que os recursos digitais tendem a motivar, engajar e estimular nativos digitais na trilha de aprendizado, há uma outra combinação de palavras que precisa ser levada em consideração: educação digital. A prática envolve uma série de habilidades e conhecimentos necessários para processar a sociedade atual a partir da sua complexidade sócio emocional e de temas como fake news, cyberbullying e crimes cibernéticos.

A circulação de notícias falsas, a quantidade de pessoas que se informam somente pelas redes sociais ou aplicativos de mensagem e o potencial de viralização de conteúdos produzidos são elementos que podem alterar e comprometer o exercício da cidadania plena e, por isso, precisam ser discutidos nos espaços escolares.

A mesma pesquisa citada anteriormente mostra que mais da metade dos jovens entre 9 e 17 anos já se deparou com conteúdos violentos ou pornográficos na internet. Além disso, cerca de 24% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum tipo de violência ou assédio online recente.

Ou seja, os hábitos de consumo de informação desta geração de estudantes – que passa mais de 3h por dia na Internet (segundo o CGI.br) e que prefere formatos multimídia, com destaque para vídeos curtos (de acordo com o Pew Research Center) – faz com que gestores e docentes precisem se preocupar não apenas em disponibilizar e dominar a tecnologia, mas também de que forma trabalhar o aspecto da cidadania digital a partir de um ambiente seguro. 

Diante deste desafio contemporâneo de atuar em um cenário de fontes e volumes de informações ilimitadas e descentralizadas, convidamos Eny Muniz, Diretora Pedagógica da Britannica Education no Brasil para listar três práticas que os professores podem adotar para lidar com suas turmas. A instituição de mais de 250 anos é referência em curadoria e distribuição de conteúdo seguro para a educação, prática que começou com edição da Enciclopédia Britânica (a mais antiga do mundo em inglês, impressa por 244 anos) e que se estende até os dias atuais por meio das soluções digitais utilizadas por escolas em todo o mundo. Confira abaixo:

Proporcione segurança para oferecer autonomia e protagonismo

A geração que se encontra em sala de aula hoje nasceu e cresceu com diferentes recursos presentes em seu cotidiano, como dispositivos móveis, redes sociais, aplicativos, jogos eletrônicos, realidade virtual e mais recentemente, a inteligência artificial. De maneira geral, está acostumada a lidar com um grande volume de informações simultaneamente, é capaz de realizar múltiplas tarefas de forma eficiente, possui profunda afinidade por imagens e jogos e preferência por conteúdos que sejam apresentados de forma multimídia e hipertextual. 

“Além disso, lidar com essa geração tem um desafio adicional, já que esse conjunto de características faz com que ela antecipe a noção de autonomia e, como consequência, busque um papel de protagonista da sua própria vivência, o que inclui o ato de aprender”, detalha Eny.

A resposta para fazer disso algo positivo está em propiciar um ambiente em que seja seguro buscar informações para compor repertório para as temáticas contemporâneas. Isso significa, de alguma forma, limitar o acesso a fontes especialmente pensadas por educadores e especialistas em educação como maneira de prepará-los para o uso consciente e crítico do ambiente da Internet e suas aplicações no futuro. 

“No passado, esse era o papel da enciclopédia, que a cada volume era atualizado com questões do futuro, como o aquecimento global. Hoje, a distribuição desses conteúdos é digital e em diversos formatos, o que facilita a adoção pelos estudantes dentro e fora da sala de aula com o potencial de se tornar seu principal buscador de referência”, completa a especialista.

Ofereça a profundidade adequada para cada faixa etária

Segundo um estudo realizado pelo Pew Research Center em 2020, os nativos digitais têm uma preferência por métodos de aprendizagem mais dinâmicos, interativos e colaborativos como jogos e simulações, que os ajudam a manter o interesse e a concentração nas atividades educacionais. 

Na atualidade, essas aplicações são consideradas mais eficazes para a retenção e aplicação do conhecimento pois aproximam os estudantes do conteúdo de forma divertida, lúdica e estimulante. E o processo como um todo ainda incentiva a criatividade, a proatividade e o senso crítico dos estudantes.

Mas, de acordo com Eny, da Britannica Education, para que se tire o melhor proveito da prática é preciso ter o cuidado de oferecer níveis diferentes de profundidade em relação à temática que se alia a gamificação para o aprendizado.

“A noção de cidadania no século XXI vai além das pautas clássicas de garantias e oportunidades, como acesso à educação, saúde e cultura, e inclui temas relacionados à tecnologia digital, igualdade de gênero, raça, orientação sexual, inclusão de pessoas com deficiência e questões ambientais e de sustentabilidade”, enfatiza ela. “Tudo isso deve permear o ciclo escolar completo das crianças e dos adolescentes para que eles formem uma bagagem que será utilizada para decodificar situações e agir na sociedade. E, nesse sentido, os jogos e simulações são muito válidos para trabalhar a vivência e promover um aprendizado contínuo, desde que a profundidade aplicada seja condizente e alinhada com cada faixa etária.”

Aplique metodologias ativas de ensino

Os modelos clássicos de aula já não são suficientes para os nativos digitais, eles precisam de novos estímulos e novas formas de contato com o conhecimento. Por isso, as metodologias ativas são fundamentais para o aprendizado atual.

O objetivo dessas práticas é incentivar que o estudante aprenda de modo autônomo e participativo. Ele precisa estar no centro do aprendizado e pode utilizar suas habilidades tecnológicas e de interatividade para adquirir conhecimento. 

“Portanto, a partir da segurança adicionada às fontes de informação e da correta segmentação de profundidade por faixa etária, é possível trabalhar com formatos de rotina diferentes. Um exemplo é a sala de aula invertida, em que os docentes orientam os estudantes a mergulhar em determinado conteúdo em casa, e, posteriormente, aproveita o ambiente escolar para promover discussões e debates em conjunto. Dessa forma, trabalha-se muito mais as habilidades críticas e sócio emocionais do que o ´decorar´ do passado”, completa Eny.

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